Pedro Sousa e o design de mobiliário de luxo português

Se calhar tudo começou com a Boca do Lobo. E talvez nem tanto assim. Começou na vontade de fazer valorizar o mobiliário que se produzia no Norte do País, aumentando o posicionamento do produto. Esta semente de adicionar “requinte”, “exclusividade” e “elegância” aos produtos de uma indústria que se precisava de reinventar foi um golpe de marketing certeiro que catapultou e gerou diversas marcas/empresas/fábricas no nosso País.
Na feira dedicada ao mobiliário e decoração Maison et Objet, que se realiza duas vezes por ano em Paris, existe uma pavilhão quase só com empresas portuguesas. Estão todas posicionadas no mercado High Class, onde impera o uso de materiais nobres, dourados e bons acabamentos. Há aqui uma herança do mobiliário colonialista que acho interessante e que irei explorar noutro post. Por agora vou dar alguns exemplos para que se perceba melhor o universo imagético onde estas empresas operam. Temos a Boca do Lobo, a Munna e a sua irmã Ginger & Jagger mas também a Frato, a Ana Roque Interiores , a Insidherland e a Jet Class. E estou apenas a citar algumas, mais conhecidas e sólidas, mas que partilham este espírito do “mobiliário de luxo português”.

Se é difícil apontar responsabilidades na criação ou reinvenção deste estilo quero porém afirmar a importância que um designer em específico tem para mim neste “movimento”. O seu nome é Pedro Sousa e foi um dos fundadores da Boca do Lobo, onde desenhou duas das icónicas e iniciais peças para a marca. Falo dos aparadores Mondrian e Diamond.

Aparador Diamond para a Boca do Lobo 
Há aqui a noção elementar de criar valor através de processos de design. Escolhida a peça-jóia de uma sala de classe alta enquanto estratégia de valor aumentado o designer Pedro Sousa explora processos, estéticas e materiais que imprimam o desejo de luxo. Foram soberbos alguns dos seus designs iniciais para esta marca, o que se veio a reflectir no sucesso alcançado por estas e outras peças.
Aparador Mondrian para a Boca do Lobo
Depois da sua saída da Boca do Lobo vemos alguns dos seus trabalhos em algumas marcas conceptualmente semelhantes. Tem projectos editados para a Ginger & Jagger onde as suas peças têm também um destaque singular no catálogo da marca. É o caso do aparador Magnolia que responde ao mote da marca, ligando elementos naturais a mobiliário de luxo.

Há outros trabalhos de Pedro Sousa que merecem destaque como alguns dos seus projecto para a marca SAAL e outras editadas em nome próprio.
Edição Pedro Sousa
Sem querer fazer uma ode ao trabalho de Pedro Sousa, o seu corpo de trabalho influencia e influenciou o que para mim é a principal tendência do sector mobiliário em Portugal. Peças de luxo, com materiais e processos exclusivos que procuram aliar a excelência da manufactura nacional a um posicionamento alto. Do ponto de vista do designer marketeer esta conjugação resulta na perfeição, não podendo porém manifestar-se de forma a reduzir o restante panorama da criação nacional ao empolamento do produto por via desta estratégia. Mas se há característica do design de mobiliário em Portugal é esta. Ser caro e luxuoso. Bling.