Design para comer

Este post não trata de food design.
Se tempos houve em que as discussões sobre as ramificações epistemológicas do design fizessem sentido, não foi seguramente no período pós-crise, irónico, das legislaturas Sócrates/passos, que vivemos.
 
O design é também uma profissão, e não só uma disciplina. Ou seja, dela dependem famílias, indivíduos e no fundo uma inteira classe. Se de repente não houver trabalho para designers em Portugal estes enfrentam uma bifurcação, ora emigram ora fazem outra coisa. Se se falou da emigração de cérebros e das consequências desse desenraizamento, também é preciso dizer que essa redefinição da profissão provocou mudanças na forma de operação do sistema profissional onde nos inserimos.
Para começar o sistema de royalties que alimentava de forma fixa muitos estúdios de design está a cair. Benjamin Hubert é um dos que critica este sistema. Criou para isso um estúdio, o Layer, onde desenvolve produtos de forma autónoma, sem a pressão de ir atrás da indústria. Se em Portugal durante muito tempo havia a necessidade de outra ocupação/profissão para manter um atelier aberto, como por exemplo dar aulas, hoje a falta de espaço para novos designers fez com que muitos começassem os seus próprios ateliers/negócios. Eu incluído.
Vejo me cada vez mais como um profissional liberal da criatividade. Faço umas cenas, o que aparece. Tenho de criar muito trabalho para mim e como quem trabalho de forma a que a coisa mexa. Ser criativo também envolve arranjar formas de monetizar o teu trabalho. É tramado mas é o sistema onde vivemos.
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