Coisas #8 Tapa-Webcams

WebCamEye

Existe coisa mais assustadora do que poderes imaginar que quando cantas Rhianna no duche usando aquela embalagem de champô como microfone, especificamente escolhida pelas semelhanças, possa estar alguém a ver-te? Não, não iria causar euforia. Isto não é o X-factor. Não cantas nada e ficas com medo que alguém possa estar a ver.

É só mesmo o medo de que “Alguém pode estar a ver…” que leva pessoas a colar fita cola, post its ou autocolantes do pokemon à frente das webcam que vêm nos portáteis? Com medo de serem vistos, espiados?

Heróis como Snowden e Assanje tornaram paranóias infundadas em princípios de medo semi- credíveis, atirando as teorias de conspiração (“ELES estão a ver-nos”), para um nível de, em graus de paranóia, suficiente +.

Existem maneiras eficazes de o fazer permanentemente sem usar um penso ou outro tipo de adesivo. Mas o statement de eu sou anti establishment porque não quero que me controlem, qual cena orwelliana, faz com que haja quase uma moda de “palas de pirata”. Se ser pirata de um só olho tivesse sido uma cena então essa era a corrente vintage da estéctica dos tapa-webcams.

Se o “all seeing eye” antes representava esta entidade que tudo via, hoje a materialização da omnisciência passa pela inócua webcam que às vezes serve para aquele skype com emigrantes amigos. Inócua é esta forma de conhecimento sobre todos os passos que damos, onde vamos (nas ruas da internet), o que sabemos, etc, que a última forma de addblock/no script/pff-mete-te-na-tua-vida é um inócuo autocolante a tapar uma coisa que comprámos. Nós é que nos metemos nisto..

 

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