Praia Comum

(Texto originalmente publicado no Jornal de Leiria, de 22-06-2018. Para consulta online: https://www.jornaldeleiria.pt/opiniao/praia-comum-8851)

A gestão dos recursos comuns é um espaço de encontro da opinião pública, já que o usufruto é transversal à sociedade.

Emprestaram-me um livro muito interessante intitulado “The Zero Marginal Cost Society” de Jeremy Rifkin, onde o autor desenvolve e liga o conceito dos “commons” ( bens comuns colaborativos) ao uso e desenvolvimento da internet e sobretudo da internet of things (IoT) para uma sociedade com a mais baixa pegada ecológica possível.  Sendo um livro eminentemente de cariz tecnológico, o autor apresenta porém alguns conceitos de aplicação pertinente noutros contextos, como a noção de recursos comuns.

Este conceito de “commons” é historicamente o que em português denominamos de morgadios ou baldios de pastagem comunal, ou seja, terras que eram usadas por uma comunidade local. Este conceito, estudado inclusive pela Nobel em Economia Elinor Ostrom, remete para o uso colaborativo de bens comuns e de como a mutabilidade e adaptabilidade das soluções colaborativas encontradas pelos utilizadores contribuem para uma melhor relação entre o Homem e os Ecossistemas.

Traçando um paralelo entre este conceito e o design de espaços urbanos/públicos, podemos considerar um espaço público, construído e gerido como um bem comum, onde os equipamentos que o povoam providenciam aos utilizadores uma certa a mutabilidade de funções, necessárias para responder às necessidades e criar oportunidades de interacção e usufruto em espaços que se encontram vazios.

Ou seja, em locais públicos que se definem pelo vazio, como a praia ou uma praça, existem equipamentos e/ou sistemas que permitem a sua ocupação, tornando-os mais seguros, aprazíveis e sobretudo obedientes a um conjunto de regras que os torna comum.

A minha proposta é se num cruzamento entre arquitectura e engenharia social pode o design de equipamentos urbanos ou ferramentas de utilização comunitária promover a interacção dos utilizadores com o espaço público, aumentando assim a procura de soluções colaborativas de forma orgânica e de usufruto comum.

Simplificando, quero encontrar soluções para que nas praias que ocupamos temporariamente por esse Verão fora hajam equipamentos e/ou produtos que não nos obriguem a levar o chapéu, corta vento e cadeira, geladeiras, etc. para a praia.

Anúncios

Biótopo Cultural

(texto originalmente publicado no Jornal de Leiria, de 17-05-2018. Para consulta online: https://www.jornaldeleiria.pt/opiniao/biotopo-cultural-8689)

Partindo de uma desvantagem natural, o ser humano usou a estratégia de, por meio da cultura, adaptar o meio ambiente ao seu corpo. Como instinto de sobrevivência desenvolveu a sua capacidade de adaptação e manipulação dos elementos naturais, transformando o ambiente vivido numa junção de elementos existentes e criados.

Esta constante alteração do meio e superação da condição ambiental provocou a criação de ecossistemas humanos, sem análogos naturais, com características próprias da época geológica actual, a do Antropoceno. Estamos numa época em que o ser humano e as suas actividades são o centro do planeta, sendo o maior contribuidor para as alterações dos sistemas em que nos inserimos.

Em Ecologia, um biótopo é uma região que apresenta regularidade nas condições ambientais e nas populações animais e vegetais e corresponde à menor parcela de um habitat que é possível medir geograficamente.

Nesta perspectiva de uma ecologia humana, onde se procura aprofundar a relação do ser humano com o seu ambiente natural, podemos definir um biótopo cultural, onde se atenta às condicionantes ambientais e culturais, unindo-as num conceito só. É uma relação recíproca onde o habitat influencia as características dos habitantes e vice-versa.

Ou seja, esta ideia de biótopo cultural, que pode tanto ser aplicado à nossa cidade ou à nossa casa, serve sobretudo para atestar que o espaço que nos envolve tem características únicas que terão de ser tidas em conta, mas que a construção do nosso habitat está a cargo dos seus habitantes.

Como a necessidade de criar o mundo à nossa imagem, com o que está disponível, é própria do ser humano é nesta dualidade de influências que se encontram oportunidades de construção cultural de habitats que procurem por um lado aproveitar o que se encontra disponível, mas por outro mitigar e potenciar o que está em falta, contribuindo como um todo para o desenvolvimento de um ecossistema cultural dinâmico, orgânico e saudável.

Sem querer deixar o caso ao acaso, diria que o melhor é que se deixe a natureza fazer o seu trabalho, sendo que as árvores são plantadas e as culturas regadas.

Os travesseiros da casa do preto

Ao abrigo do programa IVLP, encontrei-me a começar uma viagem aos EUA no aeroporto Sá Carneiro a olhar para estes bolos como uma potencial oferta num jantar de hospitalidade que iríamos ter nas duas semanas seguintes.

IMG_20171202_092124(1).jpg

Como quebra gelo de conversa, pensei que acabaria por ilustrar uma das formas como encaramos o pós colonialismo em Portugal.

A propósito da relação dos EUA com a escravatura e as consequentes relações raciais vimos duas exposições muito interessantes.

Primeiramente estivemos no National Underground Railroad Freedom Center, em Cincinnati, Ohio. Dedicado à história da escravatura em geral, desde o seu início à  propagação por continentes americanos, contando as rotas feitas pelos barcos e como era a feita a transacção nos países de origem, a organização do museu era didáctica e interactiva, permitindo aprender de forma factual sobre uma assunto delicado da cultura mundial, e muito americana.  Dedicava também uma parte significativa ao período da guerra civil, onde o rio Ohio servia de fronteira entre a escravatura e a liberdade.

300px-Slave_pen_exterior
National Underground Railroad Freedom Center

Haviam algumas menções ao papel dos Portugueses no processo mas sem nunca diabolizarem uma ou outra nação, antes focando-se na escravatura e racismo.

A outra exposição que visitámos, em Kalamazoo, Michigan, era mais dedicada a produtos de consumo racistas, ou que usavam propaganda racista. A exposição, Intitulada “Hateful things” , era uma colecção itenerante de objectos racistas, com base na colecção do Jim Crow Museum of Racist Memorabilia da Ferris State University. Embora focando-se muito na figura de Jim Crow, esta colecção apresentava objectos de consumo diário como jogos, brinquedos, disfarces mas também sinais e avisos racistas. A farinha de panquecas “Aunt Jemima” ou o jogo “Ghettopoly” são exemplos ilustrativos do uso de figuras tipificadas como forma de perdurar um estereótipo.

aut jemmina.JPG
“Hateful things” exhibition

Pareceu-me que na sociedade americana, pelas pessoas com que falei e sítios que visitei, há um esforço necessário em abraçar a cultura africana, e de lhe dar a sua relevância justa. Foi pena não ter conseguido visitar o novo “National Museum of African American History & Culture” em Washington, mas tinha lista de espera de 6 meses.

Numa altura em que as definições de cultura tradicional portuguesa proliferam com forma de dar alimento ao consumo turístico urge pensar neste tema da aculturação da nossa presença colonial.

 

 

 

Cristalização da cultura

O processo de cristalização, em termos químicos, surge após um período de transformação, que implica mudanças dos materiais ao nível molecular.

Apesar de ser um processo orgânico, este é irreversível, tornando-se o material inerte, sem evolução, ou seja, mantém se assim para sempre.

Vejo os processos culturais de uma forma semelhante. Existe um processo orgânico no qual há uma transformação da matéria, cultural, até que está se cristaliza, podendo ser observada com a devida distância, arquivada, estudada, etc.

Posso dar o exemplo da cultura punk. Nasce de circunstâncias sócio-económicas específicas, apropriando se de ideologias anteriores, esta cria, sobretudo a partir da expressão musical, uma cultura transversal que ocupa hoje um léxico povoado por termos como surrealista, dadaísta ou metaleiro.

Esta cristalização de que falo, podendo também ser denominada de rótulo, designação, etc, serve para por numa redoma aquilo que um movimento social e cultural interpôs aos valores vigentes.

Houve uma transformação da sociedade por via da cultura.

Quando se define por decreto que uma determinada cultura tem de ser ser enraizada à força, sem que passe pelo processo natural de cristalização, está se a ir contra o processo orgânico cultural.

Ou seja, quando se definem valores culturais por decreto, como o Futebol, Fado e Fátima de António Ferro, está se a condicionar o desenvolvimento das iniciativas orgânicas, voláteis e de difícil regulação que são necessárias para o florescimento de uma cultura livre, independente e sobretudo relevante, genuína.

Numa altura em que o marketing territorial está a ocupar o lugar da academia na definição de estratégias culturais para o país e para as cidades e aldeias, é preciso lembrar que um químico, sabendo o processo que leva à cristalização, não começa pelo cristal, antes cria as condições, mesmo que laboratoriais, para que este se desenvolva com os ingredientes necessários.

Ciclos Circadianos

Há uns tempos numa cadeira da Faculdade foi me pedido para escrever um ensaio livre sobre um assunto relevante à investigação em Design. Debrucei-me sobre os Ciclos Circadianos e como o seu estudo poderia melhor a nossa relação com a tecnologia.  No ano de 2017 o Nobel da Medicina foi atribuído três investigadores pela sua investigação “sobre as suas descobertas nos mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano”.

 

Para registo futuro fica aqui o ensaio.

1. Teologia do Sol
“Dixitque Deus fiat lux et facta est lux” Genesis 1:3.
A luz aparece como um dos actos primordiais na criação do Mundo, tal como é descrito no Génesis. A génese da civilização está ligada ao astro Sol e ao seu efeito luminoso. É iniciadora de qualquer vida na terra. Que se faça luz.
A relação do astro Sol e a luz que emana com a vivência do ser humano pode ser traçada desde a antiguidade. Os egípcios dedicaram vários templos e rituais a uma deidade, Ra, que assumia a forma de uma raposa com um círculo em cima da cabeça. Era uma relação dedicada à terra, onde os ciclos do Sol determinavam as sementeiras e as colheitas, mas onde a luz presente no fogo também alumiava os espaços interiores das casas e templos.
Os ciclos dos Sol, sobretudo os extremos solstícios e equinócios, surgiram como definidores de algumas culturas predominantes na Europa e aparece materializada esta adoração em algumas edificações. A mais conhecida será Stonenhedge, em Inglaterra, onde se pensa terem sido celebrados os solstícios e realizados rituais pagões associados ao sol. Porém desta dependência e adorações precoces, existe um desapego que se começa a verificar.
2. Heliocentrismo Se, pela forma adversa como foi recebida, Copérnico iniciou uma querela entre o conhecimento/ciência e a Igreja com a sua teoria Heliocêntrica, esta viria para sempre alterar a forma como nos conhecemos e como experienciamos a vida na Terra. Do sentido demiúrgico que advinha da rotação de um astro em torno do nosso planeta à constatação de que a Terra se insere num contexto maior. Sem que a importância fulcral do Sol na vida humana fosse afectada, esta descoberta potenciou um afastamento essencial para a análise das suas características e efeitos, i.e, permitiu a abstração necessária para o seu estudo.

 

3. Luz: vida= saúde “In a single century science has converted the dimly lighted nights with their feeble flickering flames into artificial daytime. In this brief span of years the production of light has advanced far from the primitive flames in use at the beginning of the nineteenth century, but (…) great improvements in light-production are still possible” “Artificial Light, Its Influence upon Civilization” M. Luckiesh, NEW YORK, THE CENTURY CO. 1920

 

Adoptado o sistema de prolongamento do dia para noite, regista-se o fenómeno da criação de “cidades que não dormem”. Esta ansiosa predilecção pela actividade contínua, criada pelo ciclo que a luz/electricidade permite, veio alterar a percepção do papel do criador e os seus danos. O Homem é influenciado pela Natureza, natural, e pela sua Natureza, artificial. Tendo o desígnio de arquitecto do seu espaço habitado, influi na maneira de o vivenciar. Esta condição implica uma análise recíproca e iterativa na curva de progresso observada, isto é, não é sem saber os benefícios e os malefícios que os artefactos humanos provocam, bem como os ambientes que daí resultam, que a evolução, técnica e cultural, opera. Urge pensar na consequência, bem como colocar a consequência como origem da razão, sendo não um resultado mas sim uma premissa do proposto.

O interesse académico no assunto da influência da Luz na civilização tem antecedentes que remontam ao século do seu despontamento, o séc. XIX. Forbes Winslow, médico de formação, começa por ligar a saúde à luz em relações de causa-efeito que ainda aparentam uma certa evidência empírica que, para além do misticismo do objecto de estudo, é consentânea à luz do conhecimento de então. Afirma que “sem a sua energia geradora de vida e sustentadora de saúde, toda a natureza animal seria um vazio estéril”, em que o Homem, “o ser vivo mais inteligente”, tornar-se-ia “definhado na mente e degenerado no corpo”. À parte de uma dicotomia cartesiana inerente, torna-se óbvia a importância da correlação luz/saúde. Ligado sobretudo à higiene.
“Sunlight tans skin, stimulates the formation of vitamin D and sets biological rhythms. Light is also used in the treatment of disease. Such effects now raise a question about the role of artifical light.” “The effects of light in the human body”, Wurtman,1975.

Richard J. Wurtman é também um dos pioneiros no estudo da luz e dos seus efeitos negativos para o ser humano e é frequentemente citado em artigos nesta matéria. Artigos que derão origem a um livro, onde pelos títulos indiciados se podem prever a gravidade da matéria:
“-Fluorescent lighting enhances tumor formation (Wiskemann A., Sturm, E., Klehr, N.W., 1986 Cancer Research and Clinical Oncology)

-Fluorescent lighting contributes to agoraphobia (Hazell, J., Wilkins. A.J., Psychology & Medicine, 1990)

-Increase in breast cancer rates among night workers exposed to fluorescent light (O’Leary, et al American Journal of Epidemiology, 2006) (Note: it is currently postulated that the distorted spectral distribution of fluorescent light disrupts the body’s circadian rhythms through melatonin suppression which causes hormonal shifts resulting in increases in breast cancer. )

-Circadian disruption caused by fluorescent light in the built environ ment contributes to breast cancer and endocrine disruption (Stevens, & Rea, Cancer Causes and Control, 2001)

-Fluorescent lighting caused increased stress in humans. (Basso, M.R. Jr., Journal of Neuroscience, 2001)” Fehrman, Cherry and Keneth, et al. 2010
A luz do dia providencia a única luz do espectro luminoso total. A luz incandescente está mais próxima da distribuição espectral sendo que a luz fluorescente é bem diferente e responsável por alguns efeitos negativos no corpo humano.

4. Luz, produto artificial. Se por um lado, do ponto de vista da saúde existe um interesse académico nos efeitos da luz no corpo humano, na sua influência nos ciclos biológicos e nos ambientes criados, por outro, do ponto de vista da indústria, existe um interesse em transformar esse conhecimento dos efeitos em produtos que traduzam estes benefícios ou que evitem os malefícios mas que sobretudo acentuem a relação biológica entre ambiente natural e ambiente artificial.
Um dos primeiros produtos a entrar no domínio da luz enquanto artefacto para a saúde, desenhado pela designer Charlotte Perriand, é o candeiro de luz infra-vermelhos Infraphil, desenvolvido pela Philips nos anos 40, para o tratameno de dores musculares.

infraphil

Esta linha de produtos de auto-tratamento continua até hoje. Graças a um departamento de R&D interessado em desenvolver novas soluções e criar necessidades adaptadas a um consumidor cada vez mais exigente a Philips criou uma linha de terapia da luz. Um dos produtos desta linha, a Wake-up light, serve como despertador simulando o nascer do sol, para um acordar natural e gradual. A luz, no espectro luminoso da luz solar, acende-se gradualmente meia-hora antes da hora de acordar estabelecida. Pode ler-se o seguinte no site da Philips: “A maior parte das pessoas sentem-se mais energéticas e em forma durante a época de Verão, cheia de luz e sol. Tanto a luz do sol como a luz do dia têm um efeito estimulante sobre n ós. Quando somos expostos ao tipo correcto de luz, isto ajuda-nos a coordenar o nosso ritmo diário ou a acordar mais facilmente. Tendo isto em mente, a Philips desenvolveu uma gama completa de produtos de terapia da luz que aumen tam a sua energia aproveitando os benefícios únicos para a saúde que a luz proporciona.” in http://www.philips.pt/c/terapia-da-luz/290775/cat/

Uma outra empresa que segue a linha da recriação do espectro da luz solar, é a Solux, que produz lâmpadas usadas sobretudo em museus.
“The lamps of SoLux are in many of the world’s top museums including the Musee d’Orsay, Van Gogh, and Guggenheim Museum is testament to its unmatched color quality. SoLux also has eight times the life and twice the efficiency of standard incandescent sources, does not contain the mercury found in fluorescent lights sources, and is a fraction of the cost of LED sources. SoLux is now available in line voltage PAR format. To p urchase SoLux click on the Products tab above.” In http://www.solux.net/cgi-bin/tlistore/infopages/index.html

De uma forma diferente, há também designers a materializarem e a interessarem-se por esta relação, procurando inspirar-se no sol como astro luminoso mor, mas também procurando intensificar a entrada de luz solar no ambiente quotidiano.
Advindo da clarabóia, uma das primeiras soluções que permite a entrada de luz natural num ambiente caseiro, o designer Ross Lovegrove, em conjunto com a Velux, desenhou uma aplicação para clarabóias intitulada de Sun Tunel. Este funciona como um candeeiro que não necessita de alimentação eléctrica, já que apenas reflecte a luz que a clarabóia transmite espalhando-a/aumentado-a.
De um ponto de vista mais inspirativo, Gio Ponti, designer italiano, criou uma marca de candeeiros inspirados no Sol. Ramun, advém do deus egípcio Ra, e simboliza a relação satélite entre o sol e a luz, transmitindo uma luz circular, de tecnologia recente, num espectro quente, da mesma onda do sol. Se no ponto de vista da indústria e do design a tentativa de transmitir a sensação e os efeitos benéficos do sol, no ponto de vista da arte existem vários artistas incidem sobre a luz, o ambiente e os seus efeitos.
James Turrell é porventura o artista que mais explora a relação entre meio ambiente e artificial através do prolongamento do céu em espaços fechados. O seu projecto melómano Roden Crater, que começou em 1979, implica a transformação de um vulcão inactivo num observatório do céu e das estrelas. Foi escolhido devido à sua localização, no meio do deserto de Arizona, que, por estar longe de pontos de luz artificiais, permite a observação límpida do céu e das estrelas. James Turrel sobre a sua relação com a luz:
“It’s about perception. For me, it’s using light as a material to influence or affect the medium of perception. I feel that I want to use light as this wonderful and magic elixir that we drink as Vitamin D through the skin—and I mean, we are literally light-eaters—to then affect the way that we see. We live within this reality we create, and we’re quite unaware of how we create the reality. So the work is often a general koan into how we go about forming this world in which we live, in particular with seeing.” in http://artgrounded.blogspot.pt/2013/02/james-tur rell-roden-crater.html
Outro artista comunmente associado ao ambiente como fonte de inspiração e material de construção artística é Olafur Eliasson, que com a sua obra intitulada The weather project, 2003, recria um ambiente, fortemente influenciado pelo efeito estufa e pela crecente preocupação ambiental.

5 Da escuridão à lógica do pirilampo.

Acompanhando transformação da qualidade de vida ocidental, e da legislação dos bens necessários à afirmação de tal condição, a luz assume-se como um desconto salarial imprescindível para quem vive em sociedade. Alimentando os nossos pequenos motores domésticos, facilitadores do quotidiano, esta passou a bem essencial, a par da água por exemplo. Se o sol traz a vida e a mantém, faz bem à saúde. Vitaminas que se possam tragar de cada raio penetrante. Também as lâmpadas que sustém os tectos em salas de janelas cerradas também a deveriam. Luzes tubulares cintilantes provocam o mesmo efeito que estrelas iluminando o céu inteiro. Trazem a contemplação. A noite traz a contemplação, e não as decisões assertivas.
A luz tem uma importância extrema para o ser Humano em particular e para a vida na Terra em geral. No caso do ser Humano, caso seja civilizado ou não dependa da existência da lâmpada para prolongar a existência diurna, a luz permite a claridade. Para além da clarividência associada, tem até um dos sentidos do conjunto da percepção sensorial intimamente associado. Sem a luz não haveria visão.
Porém, para além das necessidades de iluminação necessárias à existência da vida civilizada, a luz tem outras dimensões que vão além da capacidade de permitir a visão. Esta tem uma condição essencial na vida biológia, como por exemplo nos ritmos circadianos, daí que a substituição da luz natural pela artificial tem consequências que, a par de outras inovações tecnológicas, começam por ser percebidas e incorporadas nos produtos que habitam o nosso quotidiano.
Esta dimensão de relacionamento biológico da luz artificial com o ser humano, e com os demais organismos que habitam o mundo artificial/humano, tem especial importância nas condições sociais, económicas e laborais do presente. Se o dia-a-dia é passado em contacto com estes produtos, o seu impacto é da responsabilidade dos designers.
Se o banimento da UE das lâmpadas incandescentes teve por base razões de saúde pública e de cariz económico poderão haver motivos também para resoluções no sentido de virem a abolir luzes/tipos de luz que nos confundam e tragam prejudícios à saúde humana? Poderá o meio ambiente ser uma das prioridades, em que a sua manutenção é fundamental para a continuidade sustentável da vida na terra, mas a construção dos ambiente artificiais humanos ser apenas uma consequência aceitável da primeira premissa?

Design de Instalações

Uma das consequências, boa neste caso, da dissipação da fronteira entre o design e a arte, nesta ordem, foi o desembaraço com que se podem abordar tipologias objectuais que anteriormente eram retidas pelos artistas. Também terá de ser dito que na transição da arquitectura/design e consequentemente arquitecto/designer houve espaço para este assumir e realizar instalações e edifícios de escala pequena, objectos de habitar.
Ou seja, o designer também faz instalações. Qualquer evento de design que se preze tem uma instalação, que acaba por ser um dos momentos mais monumentais. Da arte vem a megalomania interpretativa, da arquitectura a escala. Enquanto designer o desafio ou problema a resolver é simples. Como engajar as pessoas? Tirar partido destas características e propor uma participação massiva de espectadores. É um design de espectáculo. O designer estrela afirma se magnânimo.
cos
Há aqui duas preposições que me entretêm.
A primeira prende se com o sucesso de ir de encontro à expectativa. São um estrondo de pessoas a ir a estes acontecimentos, com filas intermináveis.  A instalação criada pelos Studio Swine para a COS na última semana do design em Milão é um destes casos. Torna-se imperativo ir, o que é por si indicativo do poder do design, quando alcança o seu objetivo de forma eficaz. Há muito público para o design, poucas instituições que fora do âmbito de feiras ou certames apostam neste tipo de instalações e sobretudo poucos designers capazes de transmitir aquilo que se pretende. O entusiasmo por um acontecimento.
Por outro lado, pouco me interessa esta espetaculariedade da experiência. É a venda fácil de um produto difícil. Ou seja, se os projectos que estão por trás destes eventos normalmente acarretam investigações técnicas e inovadoras, ao mesmo tempo perdem se na Wall de memórias das redes sociais. Porque o produto mental é um exercício de observação retido nas clouds.