Ciclos Circadianos

Há uns tempos numa cadeira da Faculdade foi me pedido para escrever um ensaio livre sobre um assunto relevante à investigação em Design. Debrucei-me sobre os Ciclos Circadianos e como o seu estudo poderia melhor a nossa relação com a tecnologia.  No ano de 2017 o Nobel da Medicina foi atribuído três investigadores pela sua investigação “sobre as suas descobertas nos mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano”.

 

Para registo futuro fica aqui o ensaio.

1. Teologia do Sol
“Dixitque Deus fiat lux et facta est lux” Genesis 1:3.
A luz aparece como um dos actos primordiais na criação do Mundo, tal como é descrito no Génesis. A génese da civilização está ligada ao astro Sol e ao seu efeito luminoso. É iniciadora de qualquer vida na terra. Que se faça luz.
A relação do astro Sol e a luz que emana com a vivência do ser humano pode ser traçada desde a antiguidade. Os egípcios dedicaram vários templos e rituais a uma deidade, Ra, que assumia a forma de uma raposa com um círculo em cima da cabeça. Era uma relação dedicada à terra, onde os ciclos do Sol determinavam as sementeiras e as colheitas, mas onde a luz presente no fogo também alumiava os espaços interiores das casas e templos.
Os ciclos dos Sol, sobretudo os extremos solstícios e equinócios, surgiram como definidores de algumas culturas predominantes na Europa e aparece materializada esta adoração em algumas edificações. A mais conhecida será Stonenhedge, em Inglaterra, onde se pensa terem sido celebrados os solstícios e realizados rituais pagões associados ao sol. Porém desta dependência e adorações precoces, existe um desapego que se começa a verificar.
2. Heliocentrismo Se, pela forma adversa como foi recebida, Copérnico iniciou uma querela entre o conhecimento/ciência e a Igreja com a sua teoria Heliocêntrica, esta viria para sempre alterar a forma como nos conhecemos e como experienciamos a vida na Terra. Do sentido demiúrgico que advinha da rotação de um astro em torno do nosso planeta à constatação de que a Terra se insere num contexto maior. Sem que a importância fulcral do Sol na vida humana fosse afectada, esta descoberta potenciou um afastamento essencial para a análise das suas características e efeitos, i.e, permitiu a abstração necessária para o seu estudo.

 

3. Luz: vida= saúde “In a single century science has converted the dimly lighted nights with their feeble flickering flames into artificial daytime. In this brief span of years the production of light has advanced far from the primitive flames in use at the beginning of the nineteenth century, but (…) great improvements in light-production are still possible” “Artificial Light, Its Influence upon Civilization” M. Luckiesh, NEW YORK, THE CENTURY CO. 1920

 

Adoptado o sistema de prolongamento do dia para noite, regista-se o fenómeno da criação de “cidades que não dormem”. Esta ansiosa predilecção pela actividade contínua, criada pelo ciclo que a luz/electricidade permite, veio alterar a percepção do papel do criador e os seus danos. O Homem é influenciado pela Natureza, natural, e pela sua Natureza, artificial. Tendo o desígnio de arquitecto do seu espaço habitado, influi na maneira de o vivenciar. Esta condição implica uma análise recíproca e iterativa na curva de progresso observada, isto é, não é sem saber os benefícios e os malefícios que os artefactos humanos provocam, bem como os ambientes que daí resultam, que a evolução, técnica e cultural, opera. Urge pensar na consequência, bem como colocar a consequência como origem da razão, sendo não um resultado mas sim uma premissa do proposto.

O interesse académico no assunto da influência da Luz na civilização tem antecedentes que remontam ao século do seu despontamento, o séc. XIX. Forbes Winslow, médico de formação, começa por ligar a saúde à luz em relações de causa-efeito que ainda aparentam uma certa evidência empírica que, para além do misticismo do objecto de estudo, é consentânea à luz do conhecimento de então. Afirma que “sem a sua energia geradora de vida e sustentadora de saúde, toda a natureza animal seria um vazio estéril”, em que o Homem, “o ser vivo mais inteligente”, tornar-se-ia “definhado na mente e degenerado no corpo”. À parte de uma dicotomia cartesiana inerente, torna-se óbvia a importância da correlação luz/saúde. Ligado sobretudo à higiene.
“Sunlight tans skin, stimulates the formation of vitamin D and sets biological rhythms. Light is also used in the treatment of disease. Such effects now raise a question about the role of artifical light.” “The effects of light in the human body”, Wurtman,1975.

Richard J. Wurtman é também um dos pioneiros no estudo da luz e dos seus efeitos negativos para o ser humano e é frequentemente citado em artigos nesta matéria. Artigos que derão origem a um livro, onde pelos títulos indiciados se podem prever a gravidade da matéria:
“-Fluorescent lighting enhances tumor formation (Wiskemann A., Sturm, E., Klehr, N.W., 1986 Cancer Research and Clinical Oncology)

-Fluorescent lighting contributes to agoraphobia (Hazell, J., Wilkins. A.J., Psychology & Medicine, 1990)

-Increase in breast cancer rates among night workers exposed to fluorescent light (O’Leary, et al American Journal of Epidemiology, 2006) (Note: it is currently postulated that the distorted spectral distribution of fluorescent light disrupts the body’s circadian rhythms through melatonin suppression which causes hormonal shifts resulting in increases in breast cancer. )

-Circadian disruption caused by fluorescent light in the built environ ment contributes to breast cancer and endocrine disruption (Stevens, & Rea, Cancer Causes and Control, 2001)

-Fluorescent lighting caused increased stress in humans. (Basso, M.R. Jr., Journal of Neuroscience, 2001)” Fehrman, Cherry and Keneth, et al. 2010
A luz do dia providencia a única luz do espectro luminoso total. A luz incandescente está mais próxima da distribuição espectral sendo que a luz fluorescente é bem diferente e responsável por alguns efeitos negativos no corpo humano.

4. Luz, produto artificial. Se por um lado, do ponto de vista da saúde existe um interesse académico nos efeitos da luz no corpo humano, na sua influência nos ciclos biológicos e nos ambientes criados, por outro, do ponto de vista da indústria, existe um interesse em transformar esse conhecimento dos efeitos em produtos que traduzam estes benefícios ou que evitem os malefícios mas que sobretudo acentuem a relação biológica entre ambiente natural e ambiente artificial.
Um dos primeiros produtos a entrar no domínio da luz enquanto artefacto para a saúde, desenhado pela designer Charlotte Perriand, é o candeiro de luz infra-vermelhos Infraphil, desenvolvido pela Philips nos anos 40, para o tratameno de dores musculares.

infraphil

Esta linha de produtos de auto-tratamento continua até hoje. Graças a um departamento de R&D interessado em desenvolver novas soluções e criar necessidades adaptadas a um consumidor cada vez mais exigente a Philips criou uma linha de terapia da luz. Um dos produtos desta linha, a Wake-up light, serve como despertador simulando o nascer do sol, para um acordar natural e gradual. A luz, no espectro luminoso da luz solar, acende-se gradualmente meia-hora antes da hora de acordar estabelecida. Pode ler-se o seguinte no site da Philips: “A maior parte das pessoas sentem-se mais energéticas e em forma durante a época de Verão, cheia de luz e sol. Tanto a luz do sol como a luz do dia têm um efeito estimulante sobre n ós. Quando somos expostos ao tipo correcto de luz, isto ajuda-nos a coordenar o nosso ritmo diário ou a acordar mais facilmente. Tendo isto em mente, a Philips desenvolveu uma gama completa de produtos de terapia da luz que aumen tam a sua energia aproveitando os benefícios únicos para a saúde que a luz proporciona.” in http://www.philips.pt/c/terapia-da-luz/290775/cat/

Uma outra empresa que segue a linha da recriação do espectro da luz solar, é a Solux, que produz lâmpadas usadas sobretudo em museus.
“The lamps of SoLux are in many of the world’s top museums including the Musee d’Orsay, Van Gogh, and Guggenheim Museum is testament to its unmatched color quality. SoLux also has eight times the life and twice the efficiency of standard incandescent sources, does not contain the mercury found in fluorescent lights sources, and is a fraction of the cost of LED sources. SoLux is now available in line voltage PAR format. To p urchase SoLux click on the Products tab above.” In http://www.solux.net/cgi-bin/tlistore/infopages/index.html

De uma forma diferente, há também designers a materializarem e a interessarem-se por esta relação, procurando inspirar-se no sol como astro luminoso mor, mas também procurando intensificar a entrada de luz solar no ambiente quotidiano.
Advindo da clarabóia, uma das primeiras soluções que permite a entrada de luz natural num ambiente caseiro, o designer Ross Lovegrove, em conjunto com a Velux, desenhou uma aplicação para clarabóias intitulada de Sun Tunel. Este funciona como um candeeiro que não necessita de alimentação eléctrica, já que apenas reflecte a luz que a clarabóia transmite espalhando-a/aumentado-a.
De um ponto de vista mais inspirativo, Gio Ponti, designer italiano, criou uma marca de candeeiros inspirados no Sol. Ramun, advém do deus egípcio Ra, e simboliza a relação satélite entre o sol e a luz, transmitindo uma luz circular, de tecnologia recente, num espectro quente, da mesma onda do sol. Se no ponto de vista da indústria e do design a tentativa de transmitir a sensação e os efeitos benéficos do sol, no ponto de vista da arte existem vários artistas incidem sobre a luz, o ambiente e os seus efeitos.
James Turrell é porventura o artista que mais explora a relação entre meio ambiente e artificial através do prolongamento do céu em espaços fechados. O seu projecto melómano Roden Crater, que começou em 1979, implica a transformação de um vulcão inactivo num observatório do céu e das estrelas. Foi escolhido devido à sua localização, no meio do deserto de Arizona, que, por estar longe de pontos de luz artificiais, permite a observação límpida do céu e das estrelas. James Turrel sobre a sua relação com a luz:
“It’s about perception. For me, it’s using light as a material to influence or affect the medium of perception. I feel that I want to use light as this wonderful and magic elixir that we drink as Vitamin D through the skin—and I mean, we are literally light-eaters—to then affect the way that we see. We live within this reality we create, and we’re quite unaware of how we create the reality. So the work is often a general koan into how we go about forming this world in which we live, in particular with seeing.” in http://artgrounded.blogspot.pt/2013/02/james-tur rell-roden-crater.html
Outro artista comunmente associado ao ambiente como fonte de inspiração e material de construção artística é Olafur Eliasson, que com a sua obra intitulada The weather project, 2003, recria um ambiente, fortemente influenciado pelo efeito estufa e pela crecente preocupação ambiental.

5 Da escuridão à lógica do pirilampo.

Acompanhando transformação da qualidade de vida ocidental, e da legislação dos bens necessários à afirmação de tal condição, a luz assume-se como um desconto salarial imprescindível para quem vive em sociedade. Alimentando os nossos pequenos motores domésticos, facilitadores do quotidiano, esta passou a bem essencial, a par da água por exemplo. Se o sol traz a vida e a mantém, faz bem à saúde. Vitaminas que se possam tragar de cada raio penetrante. Também as lâmpadas que sustém os tectos em salas de janelas cerradas também a deveriam. Luzes tubulares cintilantes provocam o mesmo efeito que estrelas iluminando o céu inteiro. Trazem a contemplação. A noite traz a contemplação, e não as decisões assertivas.
A luz tem uma importância extrema para o ser Humano em particular e para a vida na Terra em geral. No caso do ser Humano, caso seja civilizado ou não dependa da existência da lâmpada para prolongar a existência diurna, a luz permite a claridade. Para além da clarividência associada, tem até um dos sentidos do conjunto da percepção sensorial intimamente associado. Sem a luz não haveria visão.
Porém, para além das necessidades de iluminação necessárias à existência da vida civilizada, a luz tem outras dimensões que vão além da capacidade de permitir a visão. Esta tem uma condição essencial na vida biológia, como por exemplo nos ritmos circadianos, daí que a substituição da luz natural pela artificial tem consequências que, a par de outras inovações tecnológicas, começam por ser percebidas e incorporadas nos produtos que habitam o nosso quotidiano.
Esta dimensão de relacionamento biológico da luz artificial com o ser humano, e com os demais organismos que habitam o mundo artificial/humano, tem especial importância nas condições sociais, económicas e laborais do presente. Se o dia-a-dia é passado em contacto com estes produtos, o seu impacto é da responsabilidade dos designers.
Se o banimento da UE das lâmpadas incandescentes teve por base razões de saúde pública e de cariz económico poderão haver motivos também para resoluções no sentido de virem a abolir luzes/tipos de luz que nos confundam e tragam prejudícios à saúde humana? Poderá o meio ambiente ser uma das prioridades, em que a sua manutenção é fundamental para a continuidade sustentável da vida na terra, mas a construção dos ambiente artificiais humanos ser apenas uma consequência aceitável da primeira premissa?

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Design de Instalações

Uma das consequências, boa neste caso, da dissipação da fronteira entre o design e a arte, nesta ordem, foi o desembaraço com que se podem abordar tipologias objectuais que anteriormente eram retidas pelos artistas. Também terá de ser dito que na transição da arquitectura/design e consequentemente arquitecto/designer houve espaço para este assumir e realizar instalações e edifícios de escala pequena, objectos de habitar.
Ou seja, o designer também faz instalações. Qualquer evento de design que se preze tem uma instalação, que acaba por ser um dos momentos mais monumentais. Da arte vem a megalomania interpretativa, da arquitectura a escala. Enquanto designer o desafio ou problema a resolver é simples. Como engajar as pessoas? Tirar partido destas características e propor uma participação massiva de espectadores. É um design de espectáculo. O designer estrela afirma se magnânimo.
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Há aqui duas preposições que me entretêm.
A primeira prende se com o sucesso de ir de encontro à expectativa. São um estrondo de pessoas a ir a estes acontecimentos, com filas intermináveis.  A instalação criada pelos Studio Swine para a COS na última semana do design em Milão é um destes casos. Torna-se imperativo ir, o que é por si indicativo do poder do design, quando alcança o seu objetivo de forma eficaz. Há muito público para o design, poucas instituições que fora do âmbito de feiras ou certames apostam neste tipo de instalações e sobretudo poucos designers capazes de transmitir aquilo que se pretende. O entusiasmo por um acontecimento.
Por outro lado, pouco me interessa esta espetaculariedade da experiência. É a venda fácil de um produto difícil. Ou seja, se os projectos que estão por trás destes eventos normalmente acarretam investigações técnicas e inovadoras, ao mesmo tempo perdem se na Wall de memórias das redes sociais. Porque o produto mental é um exercício de observação retido nas clouds.

Fascículos_Colecção Designers Portugueses

Comprei há uns tempos a Colecção Designers Portugueses, coordenada pelo Professor José Bártolo, que tem saído com o Público nas últimas semanas. Não sou muito de fascículos e então decidi comprar a colecção toda de uma vez. Não sai barato, mas contando que representa provavelmente 50/60% de toda a literatura técnica sobre design editada em Portugal num ano é um pechincha.

Editam-se poucos livros sobre Design em Portugal. Sei que provavelmente não há interesse de grandes editoras/distribuidoras em fazê-lo, o que é uma pena. Acho mesmo que o diagnóstico do design português se pode fazer avaliando a quantidade de publicações sobre o assunto num ano. Esta colecção é um contributo muito grande para a proliferação da cultura do design em Portugal, mas sobretudo para a criação de uma cultura de projecto, sabida e documentada. Aliás, a ESAD de Matosinhos tem feito um grande esforço para que todos os profissionais e interessados na área tenham o que ler na língua de Camões.

Agora, quanto ao que se edita, ao conteúdo, se fizéssemos uma analogia entre a edição de design português e cinema para analisar os seus conteúdos veríamos que nos últimos tempos (1,5 anos) só saíram Biopics!! Quer dizer, numa noite de óscares talvez apareça um, vá, mas a salpicar o conjunto das escolhas e não a encharcar os pomposos filmes que se propõem ao prémio!! Analogias à parte, se calhar é por aqui que o estilo de design português se caracteriza, como um escritor especialista em biografias o design português é biografista. A contar estórias sobre pessoas de maneira a criar história. Ou então, se quiserem, é mexeriqueiro. Gosta de saber por onde andou fulano, o que fez sicrano e o que pensou beltrano. Define-se pela descrição dos seus actores, válido, em oposição a debruçar-se sobre o livro como um contributo por si. Falar de alguém, na cultura portuguesa, toda a gente consegue, agora arranjar algo para os outros falarem, em livro digo, já é mais difícil e invulgar. Ou seja, propõem-se poucos argumentos sob a forma de livro que não sejam sob a forma historiográfica.

Parece crítica, sobre esta colecção, mas a verdade é que a consumo, consumi e vejo-a como um arquivo do que se fez no período a que se dedica. Vejo esta colecção como um ponto de partida. Tardio na forma, mas eficaz na função. Agora espero que antes de se fazer uma avaliação histórica dos “Cadernos de Design”, do CPD, se criem, apareçam e proliferem publicações, textos, enciclopédias que falem sobre o design, como se desenha e que desenha. Mas que falem do hoje, e não do ontem.

 

Profissão Designer

(este título nada tem a ver com o Antonioni)

Algo que parece futuro, sobretudo por ser pensado na América, mas que pode muito bem ser um cenário real do que se passará aqui na Europa.

Para referência fica aqui o artigo:

https://www.fastcodesign.com/3063318/5-design-jobs-that-wont-exist-in-the-future

As profissões ligadas à disciplina do design estão a mudar, toda a gente sabe. Sendo uma profissão que manipula directamente meios tecnológicos é natural que se ajuste à medida que a ciência e tecnologia se expandam para novos modelos.

Actualmente vejo cada vez menos como designer industrial, de formação. Sempre tive o gosto e o ímpeto a procurar novas tecnologias, como a realidade aumentada, e perceber o meu papel no seio de uma cadeia de valores culturais, económicos e sociais.

Vejo no artigo uma leveza agradável ao comparar o nice form giving, na gíria portuguesa criar o giro! ,  ao acto de te mumificares. Por mais que ser um designaussaurus possa parecer fixe, não é por aí.

Calor=Água=que garrafa?

Está um calor que não aparece num prospectos turístico de promoção ao país. “Venha desfrutar de 40ºc à sombra” não me parece apelativo. Claro está sol e tal, mas de cada vez que tenho de andar para algum lado lembro-me de lava, vulcões e de todas as piadas misóginas envolvendo a expressão “granda brasa”. Não é bom.

Calor pede sobretudo água, e é sobre água este post. Aliás, sobre garrafas de água e sobre a cruzada de conversão de pessoas em bebedores de água da torneira. Longe vão os tempos em que o slogan “a água da torneira faz mal” era uma campanha de médio sucesso. Hoje em dia, sobretudo em Portugal, acho que toda a gente bebe água da torneira, da fonte ou daquela barata do Pingo Doce.

Queria falar sobre duas campanhas de sensibilização para beber água da torneira. Exceptuando alguns esforços realizados pela Ersar, a campanha do aumento de consumo de água, e do ritual de trazer água contigo para o trabalho ou noutra circunstância, tem sido impulsionada pelas autarquias dos dois maiores municípios portugueses, Lisboa e Porto. Antevisão conjunto

A Câmara Municipal do Porto, ou Porto., conjuntamente com a Águas do Porto, lançaram um concurso conjuntamente com a ESAD de Matosinhos para a criação de uma embalagem em duas versões, plástico e vidro, sendo que foi ganha por uma colaboração entre um docente dessa instituição, Paulo Seco, e uma aluna, Teresa Soares.

Lisboa, através da Epal, apresenta um produto semelhante e tem promovido numa campanha publicitária para conseguir o mesmo efeito, que mais e mais pessoas bebam água. Neste caso existe a possibilidade de as adquirir com diferentes cores, para as distinguir, creio.

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Para além das dificuldades em distribuir um produto deste tipo, encomendado por empresas, de água, que não estão habituados a distribuir garrafas pelas torneiras, estes produto têm pouco alcance. Sobretudo no caso da garrafa da Epal, já que a garrafa do parece-me que ainda não foi produzida.

Para além disto, alguém me explica porque é que uma garrafa tem de ter um código de distinção de cores? Water colors? Para distinguir a minha da tua? Não percebo. Parece-me uma tentativa de acrescentar valor social a um produto que não precisa de o ter. É agua.

Posto isto, estas iniciativas são de louvar, a água da torneira é perfeitamente boa, ainda que hajam prédios e concelhos que não permitam o seu consumo. Enfim, que haja toda a água do mundo para refrescar estes dias que aí vêem.