Design de Instalações

Uma das consequências, boa neste caso, da dissipação da fronteira entre o design e a arte, nesta ordem, foi o desembaraço com que se podem abordar tipologias objectuais que anteriormente eram retidas pelos artistas. Também terá de ser dito que na transição da arquitectura/design e consequentemente arquitecto/designer houve espaço para este assumir e realizar instalações e edifícios de escala pequena, objectos de habitar.
Ou seja, o designer também faz instalações. Qualquer evento de design que se preze tem uma instalação, que acaba por ser um dos momentos mais monumentais. Da arte vem a megalomania interpretativa, da arquitectura a escala. Enquanto designer o desafio ou problema a resolver é simples. Como engajar as pessoas? Tirar partido destas características e propor uma participação massiva de espectadores. É um design de espectáculo. O designer estrela afirma se magnânimo.
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Há aqui duas preposições que me entretêm.
A primeira prende se com o sucesso de ir de encontro à expectativa. São um estrondo de pessoas a ir a estes acontecimentos, com filas intermináveis.  A instalação criada pelos Studio Swine para a COS na última semana do design em Milão é um destes casos. Torna-se imperativo ir, o que é por si indicativo do poder do design, quando alcança o seu objetivo de forma eficaz. Há muito público para o design, poucas instituições que fora do âmbito de feiras ou certames apostam neste tipo de instalações e sobretudo poucos designers capazes de transmitir aquilo que se pretende. O entusiasmo por um acontecimento.
Por outro lado, pouco me interessa esta espetaculariedade da experiência. É a venda fácil de um produto difícil. Ou seja, se os projectos que estão por trás destes eventos normalmente acarretam investigações técnicas e inovadoras, ao mesmo tempo perdem se na Wall de memórias das redes sociais. Porque o produto mental é um exercício de observação retido nas clouds.

Fascículos_Colecção Designers Portugueses

Comprei há uns tempos a Colecção Designers Portugueses, coordenada pelo Professor José Bártolo, que tem saído com o Público nas últimas semanas. Não sou muito de fascículos e então decidi comprar a colecção toda de uma vez. Não sai barato, mas contando que representa provavelmente 50/60% de toda a literatura técnica sobre design editada em Portugal num ano é um pechincha.

Editam-se poucos livros sobre Design em Portugal. Sei que provavelmente não há interesse de grandes editoras/distribuidoras em fazê-lo, o que é uma pena. Acho mesmo que o diagnóstico do design português se pode fazer avaliando a quantidade de publicações sobre o assunto num ano. Esta colecção é um contributo muito grande para a proliferação da cultura do design em Portugal, mas sobretudo para a criação de uma cultura de projecto, sabida e documentada. Aliás, a ESAD de Matosinhos tem feito um grande esforço para que todos os profissionais e interessados na área tenham o que ler na língua de Camões.

Agora, quanto ao que se edita, ao conteúdo, se fizéssemos uma analogia entre a edição de design português e cinema para analisar os seus conteúdos veríamos que nos últimos tempos (1,5 anos) só saíram Biopics!! Quer dizer, numa noite de óscares talvez apareça um, vá, mas a salpicar o conjunto das escolhas e não a encharcar os pomposos filmes que se propõem ao prémio!! Analogias à parte, se calhar é por aqui que o estilo de design português se caracteriza, como um escritor especialista em biografias o design português é biografista. A contar estórias sobre pessoas de maneira a criar história. Ou então, se quiserem, é mexeriqueiro. Gosta de saber por onde andou fulano, o que fez sicrano e o que pensou beltrano. Define-se pela descrição dos seus actores, válido, em oposição a debruçar-se sobre o livro como um contributo por si. Falar de alguém, na cultura portuguesa, toda a gente consegue, agora arranjar algo para os outros falarem, em livro digo, já é mais difícil e invulgar. Ou seja, propõem-se poucos argumentos sob a forma de livro que não sejam sob a forma historiográfica.

Parece crítica, sobre esta colecção, mas a verdade é que a consumo, consumi e vejo-a como um arquivo do que se fez no período a que se dedica. Vejo esta colecção como um ponto de partida. Tardio na forma, mas eficaz na função. Agora espero que antes de se fazer uma avaliação histórica dos “Cadernos de Design”, do CPD, se criem, apareçam e proliferem publicações, textos, enciclopédias que falem sobre o design, como se desenha e que desenha. Mas que falem do hoje, e não do ontem.

 

Profissão Designer

(este título nada tem a ver com o Antonioni)

Algo que parece futuro, sobretudo por ser pensado na América, mas que pode muito bem ser um cenário real do que se passará aqui na Europa.

Para referência fica aqui o artigo:

https://www.fastcodesign.com/3063318/5-design-jobs-that-wont-exist-in-the-future

As profissões ligadas à disciplina do design estão a mudar, toda a gente sabe. Sendo uma profissão que manipula directamente meios tecnológicos é natural que se ajuste à medida que a ciência e tecnologia se expandam para novos modelos.

Actualmente vejo cada vez menos como designer industrial, de formação. Sempre tive o gosto e o ímpeto a procurar novas tecnologias, como a realidade aumentada, e perceber o meu papel no seio de uma cadeia de valores culturais, económicos e sociais.

Vejo no artigo uma leveza agradável ao comparar o nice form giving, na gíria portuguesa criar o giro! ,  ao acto de te mumificares. Por mais que ser um designaussaurus possa parecer fixe, não é por aí.

Calor=Água=que garrafa?

Está um calor que não aparece num prospectos turístico de promoção ao país. “Venha desfrutar de 40ºc à sombra” não me parece apelativo. Claro está sol e tal, mas de cada vez que tenho de andar para algum lado lembro-me de lava, vulcões e de todas as piadas misóginas envolvendo a expressão “granda brasa”. Não é bom.

Calor pede sobretudo água, e é sobre água este post. Aliás, sobre garrafas de água e sobre a cruzada de conversão de pessoas em bebedores de água da torneira. Longe vão os tempos em que o slogan “a água da torneira faz mal” era uma campanha de médio sucesso. Hoje em dia, sobretudo em Portugal, acho que toda a gente bebe água da torneira, da fonte ou daquela barata do Pingo Doce.

Queria falar sobre duas campanhas de sensibilização para beber água da torneira. Exceptuando alguns esforços realizados pela Ersar, a campanha do aumento de consumo de água, e do ritual de trazer água contigo para o trabalho ou noutra circunstância, tem sido impulsionada pelas autarquias dos dois maiores municípios portugueses, Lisboa e Porto. Antevisão conjunto

A Câmara Municipal do Porto, ou Porto., conjuntamente com a Águas do Porto, lançaram um concurso conjuntamente com a ESAD de Matosinhos para a criação de uma embalagem em duas versões, plástico e vidro, sendo que foi ganha por uma colaboração entre um docente dessa instituição, Paulo Seco, e uma aluna, Teresa Soares.

Lisboa, através da Epal, apresenta um produto semelhante e tem promovido numa campanha publicitária para conseguir o mesmo efeito, que mais e mais pessoas bebam água. Neste caso existe a possibilidade de as adquirir com diferentes cores, para as distinguir, creio.

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Para além das dificuldades em distribuir um produto deste tipo, encomendado por empresas, de água, que não estão habituados a distribuir garrafas pelas torneiras, estes produto têm pouco alcance. Sobretudo no caso da garrafa da Epal, já que a garrafa do parece-me que ainda não foi produzida.

Para além disto, alguém me explica porque é que uma garrafa tem de ter um código de distinção de cores? Water colors? Para distinguir a minha da tua? Não percebo. Parece-me uma tentativa de acrescentar valor social a um produto que não precisa de o ter. É agua.

Posto isto, estas iniciativas são de louvar, a água da torneira é perfeitamente boa, ainda que hajam prédios e concelhos que não permitam o seu consumo. Enfim, que haja toda a água do mundo para refrescar estes dias que aí vêem.

Pokemon e a realidade aumentada

Para quem tem estado debaixo de uma pedra ou partilha do interesse tecnológico de um agricultor de enxada, este post serve para vos comunicar que “a realidade aumentada já é uma realidade” (sic).

Pois bem, realidade aumentada (augmented reality, AR) é um dos extremos da realidade virtual, ou seja uma realidade digital que se sobrepõe ao mundo real por via da utilização de um dispositivo e de uma aplicação criada para o efeito. Os exemplos de sucesso mais conhecidos são os Invizimals ou as indicações do google maps em que no primeiro caso apontamos com a câmera do smartphone para um cartão e aparece um personagem, sendo que no caso dos google maps as indicações espaciais sobrepõem-se ao que estamos a ver através da câmara.

A história da Realidade Aumentada já é longa, sobretudo em termos conceptuais. O que é novo é ter passado nos últimos tempos de uma coisa do futuro, com muita investigação feita à volta deste tema, para uma coisa do presente.

Para quem nunca tentou imitar o sonido original do Pikachu isto vai parecer estranho. Pokémon é uma série animada japonesa criada em conjunção com um jogo, de tcg, de gameboy e outros suportes. Lançaram agora uma aplicação para telemóvel intitulada Pokemon GO que consiste em andar por um mundo virtual a coleccionar aventuras e estes pokemons, animais fantásticos que possuem poderes especiais.

Acontece que, apesar do jogo ter 20 anos, lançaram recentemente uma versão para smartphone em que o utilizador anda pelas cidades, ruas, e vielas à procura destes seres fantásticos. Os bichos aparecem no ecran do utilizador como se fossem uma ratazana da sarjeta, querida em si mas num contexto suficientemente assustador para criar desastres, e o objectivo é coleccioná-los, descobrir novos mundos e defrontar oponentes.

O lançamento deste jogo tem gerado uma enorme onda de envolvimento. A constatar pelos lucros da empresa, a Nintendo, e pela sua valorização no mercado, num período de nem mais nem menos do que uma semana, e pela massiva adesão popular e dos media este é já um dos eventos do ano. Em termos económicos, gerou 11 mil milhões numa semana, sociais, tem causado inúmeros episódios, e, claro, tecnológicos, ou não fosse este um exemplo de que a AR já está aí para ficar.

Qualquer dia temos galerias públicas de arte digital. É só uma ideia. E uma sugestão, que até podia envolver um festival de arte digital, visualizado através de realidade aumentada. Estou só a dizer. Acho que assim os eventos de arte pública poderiam ter uma afluência mais ou menos parecida com isto: