Os travesseiros da casa do preto

Ao abrigo do programa IVLP, encontrei-me a começar uma viagem aos EUA no aeroporto Sá Carneiro a olhar para estes bolos como uma potencial oferta num jantar de hospitalidade que iríamos ter nas duas semanas seguintes.

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Como quebra gelo de conversa, pensei que acabaria por ilustrar uma das formas como encaramos o pós colonialismo em Portugal.

A propósito da relação dos EUA com a escravatura e as consequentes relações raciais vimos duas exposições muito interessantes.

Primeiramente estivemos no National Underground Railroad Freedom Center, em Cincinnati, Ohio. Dedicado à história da escravatura em geral, desde o seu início à  propagação por continentes americanos, contando as rotas feitas pelos barcos e como era a feita a transacção nos países de origem, a organização do museu era didáctica e interactiva, permitindo aprender de forma factual sobre uma assunto delicado da cultura mundial, e muito americana.  Dedicava também uma parte significativa ao período da guerra civil, onde o rio Ohio servia de fronteira entre a escravatura e a liberdade.

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National Underground Railroad Freedom Center

Haviam algumas menções ao papel dos Portugueses no processo mas sem nunca diabolizarem uma ou outra nação, antes focando-se na escravatura e racismo.

A outra exposição que visitámos, em Kalamazoo, Michigan, era mais dedicada a produtos de consumo racistas, ou que usavam propaganda racista. A exposição, Intitulada “Hateful things” , era uma colecção itenerante de objectos racistas, com base na colecção do Jim Crow Museum of Racist Memorabilia da Ferris State University. Embora focando-se muito na figura de Jim Crow, esta colecção apresentava objectos de consumo diário como jogos, brinquedos, disfarces mas também sinais e avisos racistas. A farinha de panquecas “Aunt Jemima” ou o jogo “Ghettopoly” são exemplos ilustrativos do uso de figuras tipificadas como forma de perdurar um estereótipo.

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“Hateful things” exhibition

Pareceu-me que na sociedade americana, pelas pessoas com que falei e sítios que visitei, há um esforço necessário em abraçar a cultura africana, e de lhe dar a sua relevância justa. Foi pena não ter conseguido visitar o novo “National Museum of African American History & Culture” em Washington, mas tinha lista de espera de 6 meses.

Numa altura em que as definições de cultura tradicional portuguesa proliferam com forma de dar alimento ao consumo turístico urge pensar neste tema da aculturação da nossa presença colonial.

 

 

 

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