Pokemon Go_Domus

Um dos grandes interesses que o Pokemon Go está a despoletar é o do conhecimento do espaço público e da sua relação com a realidade virtual e aumentada. Neste artigo na Domus, a autora menciona alguns destes aspectos.

http://www.domusweb.it/en/design/2016/07/18/pokemon_go_.html

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Calor=Água=que garrafa?

Está um calor que não aparece num prospectos turístico de promoção ao país. “Venha desfrutar de 40ºc à sombra” não me parece apelativo. Claro está sol e tal, mas de cada vez que tenho de andar para algum lado lembro-me de lava, vulcões e de todas as piadas misóginas envolvendo a expressão “granda brasa”. Não é bom.

Calor pede sobretudo água, e é sobre água este post. Aliás, sobre garrafas de água e sobre a cruzada de conversão de pessoas em bebedores de água da torneira. Longe vão os tempos em que o slogan “a água da torneira faz mal” era uma campanha de médio sucesso. Hoje em dia, sobretudo em Portugal, acho que toda a gente bebe água da torneira, da fonte ou daquela barata do Pingo Doce.

Queria falar sobre duas campanhas de sensibilização para beber água da torneira. Exceptuando alguns esforços realizados pela Ersar, a campanha do aumento de consumo de água, e do ritual de trazer água contigo para o trabalho ou noutra circunstância, tem sido impulsionada pelas autarquias dos dois maiores municípios portugueses, Lisboa e Porto. Antevisão conjunto

A Câmara Municipal do Porto, ou Porto., conjuntamente com a Águas do Porto, lançaram um concurso conjuntamente com a ESAD de Matosinhos para a criação de uma embalagem em duas versões, plástico e vidro, sendo que foi ganha por uma colaboração entre um docente dessa instituição, Paulo Seco, e uma aluna, Teresa Soares.

Lisboa, através da Epal, apresenta um produto semelhante e tem promovido numa campanha publicitária para conseguir o mesmo efeito, que mais e mais pessoas bebam água. Neste caso existe a possibilidade de as adquirir com diferentes cores, para as distinguir, creio.

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Para além das dificuldades em distribuir um produto deste tipo, encomendado por empresas, de água, que não estão habituados a distribuir garrafas pelas torneiras, estes produto têm pouco alcance. Sobretudo no caso da garrafa da Epal, já que a garrafa do parece-me que ainda não foi produzida.

Para além disto, alguém me explica porque é que uma garrafa tem de ter um código de distinção de cores? Water colors? Para distinguir a minha da tua? Não percebo. Parece-me uma tentativa de acrescentar valor social a um produto que não precisa de o ter. É agua.

Posto isto, estas iniciativas são de louvar, a água da torneira é perfeitamente boa, ainda que hajam prédios e concelhos que não permitam o seu consumo. Enfim, que haja toda a água do mundo para refrescar estes dias que aí vêem.

Pokemon e a realidade aumentada

Para quem tem estado debaixo de uma pedra ou partilha do interesse tecnológico de um agricultor de enxada, este post serve para vos comunicar que “a realidade aumentada já é uma realidade” (sic).

Pois bem, realidade aumentada (augmented reality, AR) é um dos extremos da realidade virtual, ou seja uma realidade digital que se sobrepõe ao mundo real por via da utilização de um dispositivo e de uma aplicação criada para o efeito. Os exemplos de sucesso mais conhecidos são os Invizimals ou as indicações do google maps em que no primeiro caso apontamos com a câmera do smartphone para um cartão e aparece um personagem, sendo que no caso dos google maps as indicações espaciais sobrepõem-se ao que estamos a ver através da câmara.

A história da Realidade Aumentada já é longa, sobretudo em termos conceptuais. O que é novo é ter passado nos últimos tempos de uma coisa do futuro, com muita investigação feita à volta deste tema, para uma coisa do presente.

Para quem nunca tentou imitar o sonido original do Pikachu isto vai parecer estranho. Pokémon é uma série animada japonesa criada em conjunção com um jogo, de tcg, de gameboy e outros suportes. Lançaram agora uma aplicação para telemóvel intitulada Pokemon GO que consiste em andar por um mundo virtual a coleccionar aventuras e estes pokemons, animais fantásticos que possuem poderes especiais.

Acontece que, apesar do jogo ter 20 anos, lançaram recentemente uma versão para smartphone em que o utilizador anda pelas cidades, ruas, e vielas à procura destes seres fantásticos. Os bichos aparecem no ecran do utilizador como se fossem uma ratazana da sarjeta, querida em si mas num contexto suficientemente assustador para criar desastres, e o objectivo é coleccioná-los, descobrir novos mundos e defrontar oponentes.

O lançamento deste jogo tem gerado uma enorme onda de envolvimento. A constatar pelos lucros da empresa, a Nintendo, e pela sua valorização no mercado, num período de nem mais nem menos do que uma semana, e pela massiva adesão popular e dos media este é já um dos eventos do ano. Em termos económicos, gerou 11 mil milhões numa semana, sociais, tem causado inúmeros episódios, e, claro, tecnológicos, ou não fosse este um exemplo de que a AR já está aí para ficar.

Qualquer dia temos galerias públicas de arte digital. É só uma ideia. E uma sugestão, que até podia envolver um festival de arte digital, visualizado através de realidade aumentada. Estou só a dizer. Acho que assim os eventos de arte pública poderiam ter uma afluência mais ou menos parecida com isto:

 

Design e viagens

Fazer um trabalho de design com um cliente é como viajar de avião. Em vez de trabalharmos juntos vamos viajar juntos, ok?

Começando com a compra do bilhete, aquele momento em que a asserção de viajar em conjunto se torna uma realidade. Já passaste a fase do “era tão fixe irmos ali fazer aquilo numa altura qualquer não era?” e temos de decidir para onde vamos, quando vamos e quem vai. Parece simples mas, como é óbvio, pode correr mal já que há a propensão para querermos ir para sítios completamente diferentes, numa altura em que só dá jeito a quem propõe e escolher a entourage errada. Ou seja, desde a ideia de “vamos viajar juntos” até entrarmos no avião há uma distância enorme e no fundo, toda a gente sabe isto, a maior parte destas ideias acaba no momento em que são proferidas.

Ainda assim, depois de acertado o sítio, a data e o grupo de pessoas que vai, com as devidas cedências de parte a parte porque senão ia era cada um sozinho, temos de ver o quê que se la vai fazer e como. Tem de haver um período de deambulação, de enriquecimento cultural, de momentos necessários à realização de tarefas práticas e pausas para nutrição. Ou seja, um plano mais ou menos definido com actividades que façam sentido a ambas as partes. Cada uma destas actividades envolve decisões, que não dependem de um mútuo acordo. Eu não curto muito de picante, mas até conseguia ir comer um chilli desde que suficientemente bem argumentado ou obrigado, é quase o mesmo.

Agora, também é preciso decidir como é que se vai de um sítio para o outro no meio desta viagem. De metro, autocarro ou a pé são normalmente as hipóteses que tendem a ser escolhidas, mas podemos ir de tuk-tuk ou até alugar um carro e pode depender do tempo, das bagagens ou da disposição. O como e o quê são igualmente importantes, já que ir de carro ou a pé têm custos diferentes, por exemplo.

No final o objectivo é vir da viagem com um acréscimo, seja algo tangível como um souvenirzeco ou apenas uma memória/ideia do tempo passado.

O design de um novo projecto é no fundo uma grande viagem em que embarcas com o cliente, com um destino mais ou menos traçado, alguma ideia do que vais fazer e a absoluta incerteza sobre o que a viagem será no final. Pelo menos foi o que me disseram na agência de viagens.