Métodos de Trabalho

No contacto que tenho tido com algumas manufacturas e fábricas de produtos específicos, tenho notado que existe uma séria dificuldade em contratar pessoas para efectuar tarefas manuais qualificadas. Falta de lapidários, latoeiros, soprados de vidro e soldadores sobretudo. Os responsáveis por estas indústrias queixam-se do envelhecimento do seu tecido laboral e da falta de renovação. Dizem que não há formação específica mas que de uma forma geral não há interesse em aprender uma profissão.

Tenho contrapondo com o facto de que a minha geração, que ainda não chegou aos trinta mas que já trabalha há uns anos e mesmo os que agora estão a começar a trabalhar, não está habituada nem almeja uma profissão, um trabalho prolongado. Não fomos bem preparados para isso, e existem mais recompensas sociais em estar empregado numa loja de um centro comercial do que passar 40 horas por semana a soldar para receber o mesmo. O trabalho manual não é glamoroso. É repetitivo, duro fisicamente, e não oferece grandes regalias sociais, já que envolve o silêncio e a constante pressão do tempo de execução.

Acho que para que este tipo de trabalhos se torne mais aperitivo os patrões têm de ser criativos. Poderia falar da formação ao nível profissional como uma forma de colmatar algumas destas lacunas mas não quero ir por aí. Têm de ser os patrões a tornar esse trabalho apetecível, correndo o risco de terem de simplesmente deixar de operar se assim não for.

Proponho uma racionalização do trabalho duro. Isto é, passando os trabalhadores manuais para um regime de meio/meio, onde por exemplo de manhã farão o seu trabalho na fábrica, dedicando o restante tempo a trabalhos administrativos ou de manutenção. Este modelo pode ter variações, como sendo um emprego part-time bem pago, onde em 5 horas diárias se conseguem retirar valores próximos de um emprego a full time num shopping.

Este modelo de inovação social, para que o tecido da manufatura em alguns sectores se mantenha, passa por dar ao trabalhadores a possibilidade de usarem as condições de trabalho, máquinas sobretudo, para desenvolverem os seus próprios trabalhos como forma de adicionarem algum rendimento ao seu orçamento familiar, bem como de poderem fazer parte do organismo fábrica, podendo intervir, melhorar e modificar as suas condições de trabalho.

Fábricas de co-produção, entre encomendas dos patrões e trabalhos auto propostos, parecem-me a mim são o modelo a seguir.

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Autor: sellmayer

Paulo Sellmayer is a portuguese/german designer based in Leiria, Portugal. He is the creative director at VICARA and holds his own office.

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