Coisas#6

A semana passada andei a ver de calculadoras. Como qualquer consumidor tento fazer uma compra informada. Vejo que produtos desejo, onde os posso encontrar e que preços têm. No final balanceio estes factores e adquiro o produto pretendido. Normal.

Lembrei-me que o estúdio Industrial Facility, dedicado ao design de produtos com trabalho para várias marcas como a Lacie, a Louis Vitton ou Grendene, já tinha desenhado uma calculadora. Este produto é um exemplo de como a inovação no design de produto às vezes implica apenas associar elementos conhecidos a uma função pretendida. No caso, os botões de uma calculadora. Que melhor do que teclas que já usamos todos os dias e que por isso nos são familiares para serem os botões de um objecto comum? Assim, torna-se fácil de “entender” um objecto novo.

Bem, sorte a minha porque vi que têm uma loja online no sites deles e dava para encomendar directamente. Assim já dava para fazer contas em estilo. Não habituado à moeda, libras, ainda fiquei confuso e pensei que tinha desvalorizado ao nível do kwanza.  Mas não, 199 £. Por uma calculadora. De plástico.  Quase que podia ser feita com teclas de teclados antigos recolhidos no electrão. Mas não.

Produzido em larga escala e ainda assim são € 262,55. 

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Calculator, Industrial Facility. Produzido por IDEA, Japão.

Pensei que de facto “lá fora” isto deve ser normal. Aliás, nem vejo porque um telemóvel não deva custar 17000£, já que para além de fazer contas tira fotos.

Enfim, ainda há quem critique o desbravar-terreno de designers para campos mais dedicados à escultura e de edições limitadas, onde os preços exorbitantes incomodam quem acredita na filosofia existente na génese da disciplina: através de uma produção industrial racionalizada mais pessoas terão acesso a mais bens de consumo a um preço inferior. Pôr máquinas a realizar o trabalho de pessoas/artesãos promove uma descida de preços dos produtos. Mas para quem defende a filosofia do good designparece estranho promover a existência de um mercado muito alto acessível a muito poucos.

Entretanto deixei-me ficar por um exemplar da Lexon, que tem bastantes coisas interessantes de estacionário de escritório, que vi na Arquivo e que me custou 10.

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Autor: sellmayer

Paulo Sellmayer is a portuguese/german designer based in Leiria, Portugal. He is the creative director at VICARA and holds his own office.

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