Personalização inpessoal.

Lembram-se secalhar todos, aqueles que ainda são de uma década de 80, da febre dos autocolantes, que veio ombrear com a dos dinossauros. Ofereciam autocolantes em batatas-fritas, iogurtes, gelados, com os ténis… Esses brindes quase que garantiam a venda dos seus produtos, tinham um valor “nutricional” maior e tudo. O valor do sticker nessa altura estava inflacionado porque, a meu ver, além da publicidade aderente à marca em causa, provocavam aquilo que os consumidores pretendiam. Personalizar outros objectos. Como cadernos, bicicletas, até móveis eram alvo da costumização desenfreada de quem queria demarcar a diferença. Reminescendo as malas de viajantes que eram os seus passaportes, os  carimbos de constatação da passagem. Eu estive ali e ali, consumi isto e aquilo. Quase como as insígnias na capa de um morcego de Coimbra personalizam o traje, individualizam-no.  Eu hoje tenho diversos objectos literalmente estragados pelo uso de autocolantes. Era fixe ter muitos sobrepostos sem que se já distinguissem. Como aqueles emaranhados de tatoos que cobrem os braços dos agora adeptos da costumização pessoal.

Hoje em dia a personalização de um objecto vem incluída, i.e., como as sandálias Fontessa, da Melissa em colaboração com o Gaetano Pesce , cuja apresentação fui ver no passado dia 4 de Fevereio no Mude, passando pelas NikeID que se podem mandar fazer com a cor pretendida.  O extremo desta tendência é o laptop e o smartphone, onde até o seu software dita o seu uso e propósito enquanto objecto. Máquinas em branco, prontas para serem costumizáveis.

Queremos cada vez mais algo nosso.  Queremos, enquanto consumidores cada vez mais ecléticos, ter a possibilidade de escolher algo que nos seja próximo, e o mercado adapta-se e  acompanha-nos.  Procura oferecer soluções que agradem a vários indivíduos, mais do que a grupos alvo. Pessoas que se queiram distinguir pela diferença. Agora que tudo pode ser feito à nossa imagem, ainda poderemos escolher um produto? Ou teremos de nos resignar a alterar o que nos é dado? Haverá no futuro Um sapato UNO, costumizável por cada um?  Acho que ainda teremos de esperar algum tempo para que tal suceda.

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Autor: sellmayer

Paulo Sellmayer is a portuguese/german designer based in Leiria, Portugal. He is the creative director at VICARA and holds his own office.

Um pensamento em “Personalização inpessoal.”

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